Melhor é a mágoa do que o riso?

Melhor é a mágoa do que o riso...Frequentemente paro no sinal da rua Pacheco Leão com a rua Jardim Botânico, no Rio de Janeiro onde moro.
Nessa esquina tem uma caixa da Light na tampa da qual escreveram a frase que aparece na foto.

Infelizmente a evidência científica contradiz, como frequentemente faz, a crença do poeta.

A somatização, ou seja, o reflexo no corpo dos estados emocionais é algo perfeitamente conhecido de todos. Quando estamos tristes fazemos cara de tristes. Quando estamos alegres fazemos cara de alegria. Daí as frases “ele está com cara de ….”, “que cara é essa?”, “não faça essa cara…”, etc.
Paul Ekman, professor de psicologia do Departamento de Psiquiatria na Universidade da Califórnia, São Francisco (UCSF) conduziu um estudo pioneiro que mostrou que existem seis expressões faciais universais: alegria, tristeza, raiva, medo, surpresa e nojo. No mundo inteiro, independentemente de raça, cor, idioma ou cultura, essas seis expressões são essencialmente iguais.

A produção dessas expressões e sua decodificação visual estão tão enraizadas em nosso DNA, que nenéns com poucos dias de vida, já são capazes de produzir essas expressões e, após algumas semanas, de identifica-las na mãe e outros familiares, inconscientemente reagindo a elas.

E não só a cara reflete o estado emocional. O corpo todo o faz. Se você vir alguém andando devagar, com a cabeça baixa, os ombros caídos e os braços “pendurados”, imediatamente vai concluir que está desanimado e, muito provavelmente, vai estar correto. Como disse para um cliente meu de coaching o chefe dele: “está escrito na sua testa…”.
E nossa linguística traduz claramente esse fenômeno. Quem já não sentiu “um nó no estômago”, “um peso nos ombros”, “um frio na barriga”, “um aperto no coração”?

O contrário também é verdade, porém, menos evidente. A expressão facial e a postura corporal em geral, podem causar uma emoção. Em outras palavras, se você fizer cara de triste voluntariamente, vai sentir um pouco de tristeza. Se você sorrir voluntariamente, vai sentir mais alegria. Se você sair andando devagar, com a cabeça baixa, os ombros caídos etc., vai sentir-se menos animado.
A relação entre emoção e corpo é tão profunda e íntima que fica difícil distinguir a causa do efeito.

No cérebro existem neurônios responsáveis por sentir cada emoção. E existem neurônios responsáveis por ativar músculos faciais e corporais que determinam a expressão facial e a postura corporal associada com cada emoção.
Quando, por alguma razão, os neurônios da tristeza – por exemplo – se ativam, sentimos tristeza e a atividade nesses neurônios desperta atividade nos neurônios da “cara de triste” produzindo a expressão correspondente. De tanto isso se repetir, a atividade em um grupo de neurônios fica intimamente associada à atividade no outro grupo (Teoria de Hebb – 1949) ao ponto em que, se um grupo está ativado imediatamente o outro também se ativa, não importa quem começou.

Voltando ao poeta, o coração não é um órgão capaz de sentir ou produzir emoções, isso ocorre no cérebro emocional, mas vamos supor que fosse.
A tristeza presente no coração de alguém reflete-se inexoravelmente em sua face e seu corpo. A tristeza no coração produz tristeza na face.
Mas, pelo efeito bi-direcional, se houver tristeza na face dificilmente se fará melhor o coração.

A mágoa na face não é melhor que o riso pois vai levar a tristeza ao coração e assim criar um círculo vicioso que pode se tornar uma espiral descendente em direção à depressão.

Melhor mesmo é o riso na face que ajudará a levar o riso para o coração.

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