SE VOCÊ NÃO SABE O QUE QUER, ENTÃO VOCÊ NÃO TEM PROBLEMA

por Carlos Diz

Estávamos no restaurante, minha mulher e eu, e a conversa na mesa ao lado chamou minha atenção. Um casal e uma amiga conversavam e a amiga se queixava de seu emprego anterior. Depois começou a se queixar de seu emprego atual.

Em um certo momento o rapaz perguntou à moça ”mas, o que você quer?”, e a moça emudeceu. Então o rapaz disse “eu tenho o que eu chamo de teoria do problema”, e passou a ilustrá-la. Resumindo, sua teoria é  “se você não sabe o que quer, então você não tem problema”. 

Eu gostei dessa teoria, que é perfeitamente alinhada com o que ensinamos no contexto da NeuroLiderança.

O processo neurológico de solução de problemas está intimamente ligado ao circuito de detecção de erros que existe no cérebro. Para este, erro é a diferença entre o que era esperado e o que se constata, entre o objetivo e o resultado efetivamente alcançado. Se compararmos com uma viagem, erro é a distância entre onde estamos e o destino, e solução é justamente o caminho que leva de um ao outro. 

Para que possamos planejar o caminho numa viagem precisamos ter dois pontos, o de partida e o de chegada. Assim, para que o cérebro perceba que há um problema precisa que existam dois pontos, onde estamos e onde gostaríamos de estar.

Quando o cérebro percebe que há um erro, é produzida uma sensação de descomforto, conhecida como dissonância cognitiva. É justamente este descomforto que dispara o processo de busca de uma solução. Uma vez encontrada uma possível solução, o descomforto é substituído por uma sensação de prazer a qual remunera o cérebro pelo trabalho de encontrar uma solução.

Obviamente não é garantido que sempre encontraremos uma solução quando temos um problema. Mas é garantido que se não tivermos um problema nunca encontraremos uma solução. Se não soubermos qual o ponto de partida e qual o destino não haverá desenho de um caminho.

Como normalmente sabemos razoavelmente bem onde estamos, o que mais frequentemente falta é saber onde gostaríamos de estar. O objetivo. A resposta à pergunta “mas o que você quer?”. Na falta desse, nada mais podemos fazer que ficar onde estamos e, provavelmente, achando ruim e nos queixando, exatamente como fazia a moça no restaurante.

Parece óbvio não é? Mas não é. O que mais frequentemente observamos nos processos de coaching é que o cliente não tem uma visão clara do seu objetivo ou, quando perguntado, fala do que não quer. Isto equivale a querer planejar uma viagem pensando em onde não queremos chegar. 

Como disse o gato para Alice em Alice no país das maravilhas, “se você não sabe onde quer ir, nenhum caminho te levará”. 

Se você tem um problema para o qual ainda não tem solução, pergunte-se se realmente sabe o que quer, como estaria a coisa uma vez solucionada. Se a resposta for não, em vez de continuar pensando no problema, comece a pensar no que quer. É muito provável que quando isso estiver claro, uma solução apareça na sua mente.

 

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