Em prol do domínio emocional

A maior parte (eu acredito que seja a totalidade, mas, para evitar controvérsia improdutiva, me contento com a maior parte) dos comportamentos é iniciada por emoções (variações no estado emocional do momento).
A própria palavra emoção o sugere. “Emovere” em latim quer dizer mover para fora e comportamento tem tudo a ver com mover-se para fora.

A maioria das emoções (a maior parte do estado emocional instantâneo) é inconsciente e conseqüência de estímulos percebidos (principalmente mudanças) no meio ambiente. A pequena parte que alcança a consciência constitui o que chamamos de sentimentos.

A iniciação inconsciente de comportamentos ocorre em tempos inferiores a um décimo de segundo após o estímulo, e ocorre no que chamamos de cérebro emocional, ou sistema límbico. A mente consciente só “percebe” um estímulo se este persistir por mais de 5 décimos de segundo. A maioria dos estímulos ao nosso redor não persiste pelo tempo necessário para ser levada à atenção da mente consciente. Um estudo afirma que a proporção entre quantidade de informação processada inconscientemente e a repassada à mente consciente é de 22 milhões para 1.
Portanto, a maior parte dos comportamentos é iniciada inconscientemente, se desdobra e esgota inconscientemente e permanece inconsciente, a menos que ocorra feedback de alguma forma. Um excelente exemplo disso são os elementos de comunicação não verbal, os tics nervosos, etc.

Comportamentos são também iniciados por emoções que não resultam da percepção de estímulos externos e sim de “imagens” produzidas – voluntária ou involuntariamente – pela imaginação ou memória. Aqui se localiza o poder do intento, do livre-arbítrio, da auto-motivação, em suma, do auto-domínio do ser humano. Aqui se localiza a razão do segundo “sapiens” de “homo sapiens sapiens”, o nome da espécie à qual pertence o ser humano.

O sistema cerebral que inicia os comportamentos inconscientes a partir de emoções, não está equipado para distinguir entre estímulo real (realidade) e estímulo derivado de imagens mentais (imaginação/memória). Tudo é processado como se fosse realidade.
No que concerne a este sistema não há distinção entre situações lembradas, imaginadas ou vividas.
Uma boa implicação disso é que podemos voluntariamente, usar nossa imaginação para produzir emoções e comportamentos que desejamos ter: otimismo, pensamento positivo, fé, auto-confiança, etc. Essa capacidade é uma competência e, como tal, pode ser aprendida.

Outra implicação – essa não tão boa – é que podemos involuntariamente (imaginação espontânea) desencadear emoções injustificadas (não relacionadas com situações reais) e nocivas (não produtivas), e, pior, comportamentos indesejados (que não contribuem ao atingimento de nossos objetivos racionais), alguns dos quais podem até ser contraproducentes: pessimismo, pensamento negativo, aversão extrema ao risco, fobias, timidez, etc.

Devido à alta proporção de emoções inconscientes e à defasagem na percepção das que chegam à atenção da mente consciente, é muito difícil controlar (suprimir) a maior parte dos comportamentos.
Sendo controle uma função da mente consciente, este pode ocorrer tarde de mais ou simplesmente não ocorrer.

Quanto mais forte a emoção, menos controlável o comportamento, podendo chegar ao ponto de “perdermos a cabeça”. Adicionalmente, a supressão do comportamento não “esvazia” a emoção por trás dele. A persistência dessa emoção pode levar a o que chamamos de “explosão” e/ou à sua somatização, afetando um ou mais órgãos/sistemas do corpo e resultando em hipertensão, gastrite, insônia, queda de cabelos, disfunções cardio-vasculares, perda de memória, impotência, etc.

Porém, controlar não é a única opção. Podemos aprender a dominar. A diferença sendo que enquanto controle busca reprimir/suprimir, domínio busca prevenir.

Competência comportamental é a capacidade de escolher comportamentos, promovendo os desejados e evitando os indesejados. Se o comportamento é desencadeado pela emoção, a única maneira de prevenir o comportamento é atuando voluntária e deliberadamente sobre a emoção que o causa. Para ampliar a competência comportamental é, portanto, necessário ampliar a competência emocional, definida como a capacidade de escolher que emoções se quer manter e quais se quer suprimir. Como só podemos atuar voluntariamente e deliberadamente sobre algo do qual temos consciência, isso requer que tenhamos consciência da emoção na origem, ou seja, competência emocional ampliada requer consciência emocional ampliada.

O desenvolvimento da competência comportamental é um processo em três fases.
– Ampliação da capacidade de saber o que se sente.
– Ampliação da capacidade de escolher que continuar sentindo e o que não.
– Ampliação da capacidade de escolher o que fazer e o que não em decorrência.

Este desenvolvimento pode ser obtido através da repetição de exercícios específicos destinados a ampliar a consciência do estado emocional instantâneo, e a gravar (hard-wire) no cérebro o processo de auto-diálogo que permite a escolha volitiva dos comportamentos e das conseqüências a estes relacionadas, incluindo a persistência ou esvaziamento do estado emocional em questão.

A repetição dos exercícios levará, após um tempo relativamente curto, a um estado de competência inconsciente que permitirá a posta em prática deste processo (CONSCIENTIZAÇÃO – ESCOLHA – AÇÃO) de forma automática e suficientemente rápida para torna-lo eficaz.
Os monges Budistas passam parte de suas vidas exercitando-se para abrir a “Manodvara” (janela entre a mente e o espírito em tibetano) a fim de desenvolver sua capacidade de escolher suas emoções.
A Manodvara é uma conexão – cientificamente comprovada – entre a parte do cérebro onde as emoções surgem em primeira instância (centro somato-sensorial) e a parte onde escolhas baseadas em preferências são exercidas.

Graças à neuro-plasticidade do cérebro, esta conexão pode ser ampliada e tornada mais ágil por meio de exercícios.

O resultado disso será mais liberdade (arbítrio). Liberdade para fazermos escolhas, vivermos em função de nossas preferências, nos comportarmos como considerarmos mais eficaz, sentirmos o que queremos sentir.

Se quiser saber mais:
http://www.resultscoaches.com.br
http://www.resultscoaches.com
e veja os artigos sobre “O homem mais feliz do mundo” na Intenet.
http://www.independent.co.uk/news/uk/this-britain/the-happiest-man-in-the-world-433063.html

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